terça-feira, 30 de agosto de 2011

Presente especial de aniversário...



Sônia, sinceridade é
Olhar em nossa volta
Neste dia tão especial e
Imaginar como o mundo
Amanheceu melhor com você!


Braga Barros (o poeta)


28/08/2011

domingo, 28 de agosto de 2011

História de Adenisia Souza Silva

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Mais uma deliciosa história... Cada coisa!
Divirtam-se...



História de Cíntia Moreira


Obrigada, Cíntia, vamos curtir juntos...


"Sônia,
pro dia dia de hoje, uma história que amo!!!

bjs,

Cíntia Moreira

A Moça Tecelã
Por Marina Colasanti

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos  do algodão  mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.  Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte."

História de Horácio Pavret

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Gente, está ficando muito chique. Podem plagiar. Quem quiser mandar as histórias em vídeo, estamos aqui.
O domingo continua lindo! Cheio de  Histórias.
Imagina que as crianças estão brincando na rua e escutei um "Feliz Dia Valeparaibano de Contar Histórias para você", adorei. Criança é tudo de bom. É feliz e pronto. Quantas lições nos dão!


Obrigada, amigos!







Eu agradeço a gentileza e carinho de todos. Valeram esses quarenta anos e que venham quantos mais sejam possíveis. Agradeço a existência de todos vocês em minha vida. Paz e bem!


Sônia Gabriel

Nossa História é um Presente!


A gente escreve a própria história nunca em solidão. Ela começa muito antes de nós. A minha é antiga, muito mais antiga que esta foto, mas é o que tenho para conhecer o tamanho das linhas que já foram rascunhadas. Bela, austera, ali sentada, é Dona Tertuliana, minha tataravó... Um dia conto sua história... Ela representa Dona Áurea, Dona Flausina, Dona Dórvina, Dona Maria... Todas Donas - majestosas de suas vidas, sangue de minhas veias.



Eles nem sabem o quanto vão nos ser. Meu pai e minha mãe. Suas vidas unidas me deram a minha.
Quanto amor podemos sentir por aqueles, imperfeitos, que nos geram e sonham para a perfeição? Quem mais nos ama tanto por tão pouco? Agradeço todos os dias pelos olhos verdes e histórias encantadas contadas por meu pai. Agradeço todos os dias pela perseverança e maternidade de minha mãe.



Eu. O vestidinho foi feito por minha mãe com pedaços de seu vestido de noiva. Os sapatos e as meias, uma história a parte. Meu nascimento, uma delícia intriguenta de história. Haja papel e tempo para contar. Agradeço pela criança que fui.



Eu, minha mãe e meus irmãos. A vida de Menina (assim mesmo) está me rendendo um livro muito particular.
As aventuras misteriosas do antigo Parque Santo Antônio, os velhos personagens de Jacareí. Todos estão chegando... Os ventos me embalam e a Menina sempre voa para lá, na década de 1970. Agradeço pela Menina que nunca me abandonou.



Eu, no dia de minha Primeira Comunhão (05 de dezembro de 1982). Gal e Donizete, nesta foto, representam o tempo de meu aprendizado. Representam Frei Vitório, Marco Aurélio de Souza, Neusa Mariano e todos os colegas de jornada, amigos na fé. A minha permanece fiel escudeira de meus dias. Todos os dias. Quanta história temos para contar, meus amigos.



Lembranças da adolescência, do tempo dos sonhos, mas também das dores e perdas. Tempo em que temos e vemos encantamento em tudo. Saudades da pena pesada que tinha ao escrever. A vida nos suaviza também... Lembrança boa dos livros que li... Das pessoas que ouvi. Ouvi tanto e ainda não sabia o quanto me seria importante. Agradeço pela moça que fui. A moça que permitiu a mulher que hoje sou.



Agradeço pelo amor. 'A vida nos presenteia quando percebe que podemos entender o valor do presente', me disseram certa vez, se assim for, agradeço o privilégio.
Agradeço por não caminhar sozinha, pelos anos vividos até aqui, pela história construída, pela possibilidade do que há de vir. Agradeço por ter com quem compartilhar o tempo, as rugas que chegam, o peso que muda, os cabelos que branqueiam e ofereço meu olhar de apaixonada. O mesmo desde aquela tarde.



Um dia de cada vez, uma história simples, nada de fantástico. 
Nasci, cresci, , fiz escolhas, trabalho, aprendo, vivo. Amo, tenho filhos, lembranças, continuo vivendo.
Mas, absorvo profundamente cada momento, cada alegria, cada tristeza, cada perda, cada vitória, cada suspiro, pois a minha vida é meu maior presente.
Sou grata.

Paz e bem!
Sônia Gabriel

sábado, 27 de agosto de 2011

Fotos da noite especial no Café da Madre...
















Aguardem mais imagens...

História da Sônia Gabriel



Caros amigos, para comemorar nosso II Dia Valeparaibano de Contar Histórias chamei a criançada da rua. Fizemos uma cabaninha muito chique, pipocas, chocolates e curtimos livros e cordéis. Paulo Barja foi o preferido das crianças, a cada adivinha acertada, um chocolate. Teve: piadas, histórias de assombração e muita alegria. Aproveitem este domingo e contem histórias. Amanhã, mais... 


Que plateia linda!


Novos leitores!


Contar histórias é dar aconchego.


Que tarde encantada! Sabem quem mais ganhou? Eu!
Paz e bem!

Sônia Gabriel

História de Paulo Barja


Paulo, obrigada pela generosidade, a ideia é esta mesmo: COMPARTILHAR.


"Aproveitando o ensejo, seguem abaixo duas contribuições para a lista de histórias/contos/causos. São pequenos contos budistas que gosto sempre de lembrar, envio para compartilhar com todo mundo.
Abraços,
 
            Paulo Barja
 
Dois contos tradicionais do budismo 
1
Um samurai grande e forte, de temperamento explosivo, um dia foi procurar um monge.
- Monge! Ensine-me sobre o céu e o inferno!
O samurai falou daquele jeito porque estava acostumado a ser temido e obedecido.
- O monge, baixinho, olhou para aquele terrível guerreiro e respondeu com o mais completo desprezo:
- Eu, ensinar a você sobre o céu e o inferno? Como você pode ter petulância de querer que eu faça isso? Você está sujo. Seu fedor é insuportável. A lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a classe dos samurais. Saia da minha frente! Não consigo suportar sua presença, você me faz mal!
O samurai ficou furioso. Ficou tão bravo que até tremia de ódio, o sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguia nem falar de tanta raiva. Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.
- Isso é o inferno - disse mansamente o monge.
O samurai ficou pasmo com a coragem do monge, que oferecia a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno! O guerreiro foi, lentamente baixando a espada, cheio de gratidão, subitamente pacificado. E pediu desculpas ao monge.
- E isso é o céu - completou o monge, sempre sereno.
- - - - - - - - - -
2
Tempos depois, o mesmo monge caminhava com seu discípulo. Depois de muito andar, pararam à beira de um rio. Ali viram uma moça que estava parada, olhando pro rio, e não parecia nem um pouco contente. Quando viu o monge e o discípulo, a moça na mesma hora começou a falar:
- Preciso atravessar o rio! Por favor, me ajudem! Esse vestido é novo, ganhei de presente e não posso molhar.
O discípulo ficou chocado com a petulância da moça e já ia puxando o mestre para o outro lado quando este, gentilmente, se aproximou da moça e, fazendo um aceno, pegou-a no colo com delicadeza. Em seguida, entrou no rio e a levou-a no colo até o outro lado. Ela seguiu seu rumo e o mestre, totalmente encharcado, voltou calmamente a caminhar com seu discípulo, que custou a acreditar no que tinha visto.
Depois de uma meia hora, o discípulo finalmente tomou coragem e perguntou:
- Prezado mestre, desculpe, mas não entendo: por que o senhor se sujeitou a isso? Molhou sua roupa e perdeu seu tempo ajudando aquela moça petulante que lhe faltou com o respeito!?
O mestre ficou em silêncio por um tempo. Em seguida, respondeu:
- Eu já nem me lembrava disso. Mas você, pelo contrário: continua carregando a moça até agora."

História de Neusa Mariano



Está esquentando, muito bom!

 "Lá vai a história, não é minha tá, escutei.

Havia uma cidade pequenina aqui na região do Vale do Paraíba, com pouquíssimos habitantes.
Certa vez chegou um circo na cidade, mas era diferente, ele não veio para se apresentar e sim para contratar novos artistas.
Fizeram propaganda na cidade para que quem tivesse interesse em trabalhar no circo se apresentasse, tal hora e em tal lugar.
Chegou o grande dia e muitos da cidadezinha tinham esperança de conseguir trabalhar no circo.
Dentre eles um menino franzino e doce.
Formou-se a fila e começaram as contratações:
O dono perguntava: O que você sabe fazer?
A pessoa respondia: eu sei andar encima de uma bola.
Dono: Está contratado.
Outro: Eu sei andar encima de um arame esticado.
Dono: Está contratado.
E assim sucessivamente.
Quando chegou a vez do menino franzino:
Dono perguntou: O que vc sabe fazer:
Franzino respondeu: Sei voar
O Dono pediu que ele se retirasse.
O menino voltou para o final da fila.
Quando chegou sua vez novamente o dono perguntou, vc de novo o que sabe fazer?
Ele respondeu: eu sei voar.
O dono irritado pediu que ele se retirasse novamente.
Mas o menino insistente voltou para o final da fila.
Quando chegou novamente sua vez o dono disse a ele:  menino vá pra casa aqui não é seu lugar.
Então o menino franzino triste e cabisbaixo bateu suas asas e voou.
E todos ficaram admirados de sua beleza e desejaram ser como ele."

Neusa Mariano

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Bençãos e maldições do progresso.



(Jornal de Caçapava, 19 de agosto de 2011.)


Numa boa, chega de tanto progresso! Acabo de voltar da região central de São José dos Campos e depois de uma hora e meia procurando um local para estacionar, e não conseguindo, desisti e retornei para casa. Nem tive a pretensão de parar perto do local necessário, queria apenas parar. Você pode estar pensando: ‘Vá de ônibus’. Respondo só se você for usuário diário deles, aqui na cidade. Caso contrário, prefiro não comentar.

Fato é que com duas crianças, outro tanto de bolsas e materiais, fica difícil se aventurar mais do que já tento procurando um local para estacionar. Tenho cansado minha mente, há  alguns anos, pensando na necessidade de tanto progresso. Não que eu queira andar de carroça, passar roupa com ferro à brasa e muito menos curar minhas doenças contando somente com chá e oração, mas há limite para tanto progresso. Está na hora de parar de pensar em concreto e começar a pensar em qualidade de vida.
Em alguns bairros da cidade fica difícil respirar de tanto prédio no entorno. Para os quase claustrofóbicos, como eu, é um tormento; olhar para os lados e não conseguir ver um pouco de horizonte, olhar para cima e lutar para ver o céu com amplitude, credo!
Faça a experiência: passe um final de semana visitando os shoppings da cidade. Todos estarão lotados. Inclua nesta lista o centro da cidade e os supermercados, resposta: lotados.
Aliás, se resolver ir ao centro, evite os caminhos tradicionais, além dos congestionamentos, irão se deparar com boa quantidade de motoristas nem sempre bem educados. Esta cidade não merece um progresso que desista da qualidade de vida das pessoas e sinto que estamos caminhando para esta consequência.
São José dos Campos tinha o talento de conseguir proporcionar uma vida moderna sem perder o ar de cidade do interior, a meu ver sua mais valorosa qualidade. Lamento assisti-la descaracterizar-se.

Falar é fácil, atuar e resolver são outros quinhentos, até por isso demorei anos para finalizar este texto. Ontem, enquanto me organizava para escrever, encontrei estas linhas iniciadas há mais de três anos. Imagina! Lembrei-me que foi escrito num momento de agitação e pensei se ainda valeriam suas palavras. Totalmente. Liguei para alguns amigos e todos concordaram. Amamos muito São José dos Campos para não nos assustarmos por seu progresso cinza. Esta cidade é linda, já foi muito mais aconchegante e acolhedora e aos poucos se torna impessoal. Cabe a nós, que a amamos, não permitir que o progresso traga mais maldições que bênçãos.
E sua cidade, caro leitor, quais são suas bênçãos e maldições?
Este exame é bom de quando em quando, nos ajuda a lutar por nosso canto.

Sônia Gabriel

Coluna Crônica Jornal de Caçapava: A arte de ouvir.



(Jornal de Caçapava, 12 de agosto de 2011.)


Mais significativa que a arte de bem falar, é a de bem ouvir.
Escutar o próximo demanda generosidade, compaixão, respeito, humildade e amor. Estamos perdendo essa competência tão especial. Numa sala de reuniões com mais de vinte pessoas, todos gritam. Começam falando, conforme outros vão chegando, cada um vai falando mais alto, e quando conseguimos, por instantes, nos distanciar da cena, é possível observar as expressões de angústia em se fazer ouvir a qualquer berro.
Andei fazendo o exercício proposital de escutar menos e falar mais. Bati papo, coisas sem importância, bobagens que não acrescentam em nada. Minha popularidade melhorou no trabalho e na rua. Quando voltei mais a mim, quando quis falar de assuntos de nosso cotidiano real, quando quis falar de música, de livros, de filhos, de família, de verdade, os ouvintes foram rareando, regressando aos de sempre.
Claro que leveza é bom, assuntos amenos, risadas (rir ainda é o melhor dos remédios), brincadeiras, tudo acrescenta para nossa alegria. Mas só conseguir ouvintes para maledicências, fofocas, para palavras caídas no vazio é muito triste.
Tenho participado de alguns encontros onde muito debatemos a importância de ouvir. Ocorre sempre um breve silêncio. Mas, em segundos, a agitação não permite uma reflexão mais profunda. Não queremos. Refletir sobre escutar quando a ânsia é de falar? Improdutivo. Apenas, não podemos desistir. Precisamos educar nossos filhos, alunos, amigos, parentes, nos educar a escutar. Adquirir a sabedoria de selecionar o que vale a pena e o tinteiro escutar.
Amadeu de Queiroz (na década de 1930) nos ensina, retirando da sabedoria popular, que “É bom saber calar até chegar o tempo de falar.” Aprendi, creio e exercito isso.

Sônia Gabriel


Mistérios do Vale em Paraibuna - 22/08/2011



Nesta segunda, dia do Folclore, através do Instituto Ecocultura, Pércila e eu estivemos na cidade de Paraibuna. 
Recebemos o convite do Diretor Cultural da Fundação Cultural Siqueira e Silva, Fábio Rocha.


Conversei com os professores da rede pública da cidade. A palestra abordou como trabalhar com as lendas em sala de aula, principalmente com o conteúdo oficial de História.


Foi interessante perceber que há professores que recebem bem a proposta e viajamos um pouco (virtualmente) pelas lendas de algumas cidades do Vale do Paraíba.


Foi uma oportunidade rica para mim, espero ter contribuído um pouco também para com o trabalho dos colegas.


É muito gratificante  observar o cuidado de uma Fundação Cultural em dialogar e agregar valores de aprendizado com a Educação. Essas duas esferas sociais são ferramentas primordiais para que nossos alunos sejam verdadeiramente cidadãos.
Obrigada a todos pela atenção e generosidade.
Paz e bem!

Professora Sônia Gabriel




terça-feira, 23 de agosto de 2011

História de José Antônio Braga Barros - mais uma, oba!



Outra do Braga Barros. Está nos animando Braga, pode enviar mais...


"Acabei de me lembrar da história do Zé da Nenzinha. Esta não pode ficar de fora.
O Zé é uma ótima pessoa quando não bebe. O problema é que ele sempre bebe.
Em qualquer hora, em qualquer dia, em qualquer situação. Já com umas tantas pelo caco, chegou no final da noite no velório. E com aquela sua voz inconfundível, já falou logo na entrada:
- TEM CACHAÇA AÍ???
E  a resposta veio em voz baixa, como convém nesta ocasião:
- Não, seu Zé aqui não tem cachaça!
Não tem importância, a gente faz uma vaquinha e já compra uma garrafa, e saiu com o chapéu na mão importunando amigos e parentes do falecido.
Pede para um, pede para outro até dar de frente com a viúva que lhe pergunta:
- O que você está fazendo, Zé?
Ele respondeu:
- Ajuntando um dinheirinho para comprar uma cachaça, senão ninguém vai aguentar passar a noite aqui com este frio!!!
A viúva levou a mão até a bolsa para tirar alguns trocados mas foi logo impedida pelo Zé da Nenzinha:
- A Senhora não! A senhora já entrou com o defunto!
E saiu para comprar uma garrafa!"

José Antonio Braga Barros
Presidente do Cineclube Paraíso
Cadeira nº 10 da
Academia Joseense de Letras


História de Zenilda Lua


Continuam chegando histórias, o povo não vai poder dizer que não sabia nenhuma. Que maravilha! Vamos conversar, contar histórias...
Apreciem esta que Zenilda Lua nos enviou...


"A Menina que virou Santa

Em 1923 na minha cidade, Patos (sertão paraibano), uma menininha chamada Francisca, foi brutalmente agredida e espancada até a morte pela sua madrasta. Com ajuda do pai colocada num saco e jogada bem longe da cidade num matagal, entre duas pedras.
Os vizinhos deram falta de Francisca mas, a madrasta contou que após uma discussão em família decidiram mandar a criança morar com  parentes em região distante.
Passado dois dias moradores da zona rural encontraram o corpo da menina. A madrasta e o pai fugiram da cidade. Entre as duas pedras, onde o corpinho foi encontrado, em sinal de respeito moradores fincaram uma grande cruz de madeira. No dia seguinte voltando ao local onde foi posta a cruz, perceberam uma espécie de nascente, um fiozinho de água singela e cristalina escorria por  entre a dureza das pedras em plena caatinga sertaneja onde a seca obedece uma constância quase o ano inteiro. Estudiosos e cientistas visitaram o local, analisaram a fontezinha e nada foi esclarecido. Desse dia em diante  gente de toda a região passou a visitar o lugar fazendo pedidos, orações, novenas. 
Ao lado das pedras foi construída uma capela.
Hoje conhecida como a Cruz da Menina. A capela transformou-se num grande templo de adoração com salas de ex-votos, casa das velas, altar externo, lanchonete, lojas de souvenir, teatro de arena, passarela e jardim.

Onze anos depois do crime a madrasta e o pai foram localizados na cidade de Campina Grande e levados a júri popular mesmo inocentados pela justiça, o casal jamais teve sossego, perseguidos pela população, a madrasta morreu louca e o pai cometeu suicídio.

A casa onde Francisca morava na cidade  ficou mal assombrada. Por muito tempo, após meia noite ouvia-se barulho de portas e janelas batendo e uma criança num lamento choroso chamando pela mãe."


sábado, 20 de agosto de 2011

Mistérios do Vale no EC Tim Lopes


Fonte: www.fccr.org.br


Aconteceu, dia 19 de agosto de 2011, o encontro  com a comunidade do Bosque dos Eucaliptos. Agradeço a atenção de todos. Os alunos são muito educados e curiosos. Muito bacana!
Paz e bem!
Sônia Gabriel



Continuamos...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Convite muito especial... Cultura Popular no Café da Madre



Evento: Exposição do projeto Santo de Casa no Café da Madre.
Data: inauguração da exposição 24/08 (duração da exposição 24/08 a 17/09)
Horário: a partir das 18h
Local: Rua Madre Paula de São José, 133 – Vila Ema – São José dos Campos, SP


Contamos  com a presença de todos!
Até lá...

Sônia Gabriel

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mistérios do Vale no EC Jardim da Granja


Fonte: www.fccr.org.br



Aconteceu hoje, dia 18 de agosto de 2011, o encontro  com a comunidade do Jardim da Granja. Agradeço a atenção e cuidado de todos. Ouvi muitas histórias boas. A prosa foi excelente e fiz novos amigos que compartilham do gosto por ouvir e contar histórias. Nos veremos muitas vezes.
Paz e bem!
Sônia Gabriel



Que café saboroso! 


Continuamos...

História de José Antônio Braga Barros



Esta hilária e verdadeira história foi enviada pelo poeta Braga Barros - made in SJC e Paraisópolis...
Apreciem...

 "Essa é de morte...

Sônia, por favor não caia. A coisa é séria. Sabe aquele meu tio que não gostava de pescar aos sábados, por que sábado tem muito vagabundo na beira do rio e então ele só pescava durante a semana...  Pois é, por muitos anos ele foi dono de uma funerária. E naquele tempo, cidade do interior, pacata, quase não havia enterro, ele lamentava:
-É, a vida tá difícil, não morre ninguém!
E para piorar as coisas, ainda veio um concorrente abrir outra funerária, quase que em frente à sua. Aquilo foi uma afronta. Quase que eles se matam. Foi preciso até uma interferência política. A Câmara Municipal teve que votar a Lei Nº 1.066 de 01/10  /1985 disciplinando a questão. Dia par o defunto é da funerária A, dia ímpar é a vez da funerária B. Isso apareceu até no Fantástico. Assim a paz voltou a reinar no Paraíso. Mais tarde a Lei nº 1718 da abril de 1999 deu nova redação à anterior, mas manteve em seu quinto artigo: “As duas empresas concessionárias executarão os serviços funerários, trabalhando em sistema de plantão, observando-se, obrigatoriamente, o critério de atendimento a óbitos alternados ocorridos dentro do município de Paraisópolis, independente de raça, cor, credo religiosos, condição social ou econômica do falecido”.
Naquele tempo os caixões de defunto eram fabricados na oficina de meu tio, que ficava na parte de baixo do sobrado onde ele morava com sua enorme família. Então, meus primos e primas e eu também brincávamos de pique de esconder na oficina e era muito comum a gente se esconder dentro dos caixões e ficar bem quietinho para ninguém nos encontrar. Prendíamos até a respiração.
Também era comum naquele tempo, em uma cidade sem recursos, as instituições como Santa Casa e Asilo, terem apenas um caixão de defunto para os pobres e indigentes. Então acontecia todo o ritual do funeral, mas no momento final, abria-se o caixão, virava-o de boca para baixo, depositava o conteúdo e a embalagem era devolvida para um outro enterro. O caixão voltava vazio à espera do próximo.
Minhas primas sempre muito estudiosas ficavam até altas horas da noite na oficina fazendo suas tarefas e trabalhos escolares. O inusitado disso eram as suas escrivaninhas. Elas colocavam três caixões de um lado, três do outro, sobre eles atravessava uma tampa de caixão e com muita tranqüilidade usavam aquilo como uma mesa de estudos. Todas foram bem sucedidas em suas profissões.
Uma tomou gosto pela coisa e até hoje toma conta da funerária e tem o maior cuidado em trocar, arrumar e conversar com os defuntos durante o ritual de preparação do corpo para o velório. Mas o tio que gostava tanto de pescar, acabou falecendo em uma viagem que foi para o Mato Grosso para esta aventura. Seu corpo voltou trasladado.
Nessa época a cidade já começava a crescer e o pequeno cemitério antigo já não tinha espaço para novos sepultamentos. A Prefeitura providenciou criar um novo em estilo moderno, com cara de jardim, bem estruturado. E não é que esse meu tio que era o dono da funerária, foi quem estreou o novo cemitério e está enterrado na cova número um.Pode ir lá conferir!
E tem aquela história da vovozinha que tristemente comentava a morte de um neto em um acidente com bicicleta. Depois de suas lamentações concluiu:
- Mas o velório da Lúcia (minha prima) É DEZ! Tem café toda hora, pãozinho quente até de madrugada! Uma beleza!
Vida longa para todos!

Braga Barros"

História de Milton Teixeira



História enviada pelo Artista Plástico Milton Teixeira, de São José dos Campos...

"A Visita

O som lancinante assustou-o e o bater de cascos no chão de terra o deixou inquieto. Levantou-se lôbrego e caminhou à janela espiando lá fora através das persianas de madeira azul desbotadas. A escuridão era absoluta. Esticou o pescoço e espremeu a testa no madeiro forçando os olhos na direção da luminosidade que aparecera de repente na quina da casa reverberando por todo quintal. O brilho alcançou-o e instintivamente se encolheu esperando não ser visto por quem chegava. Incomodava-o parecer excessivamente curioso.
Esperou longos segundos ansiosamente e voltou a olhar para fora esperando ver o visitante portando a lanterna que iluminava a noite. Não enxergou ninguém. Percorreu com o olhar toda extensão do terreno e não distinguiu viva alma. A inquietação vibrou em seu peito deixando-o desfibrado. Encolheu-se temeroso.
Ouviu o casco bater no chão duro se aproximar da janela. Esperou ouvir o chamado e nada aconteceu. Seu ânimo amofinou-se. Todo pensamento travou pelo pavor que se anunciava.
Sacudiu a cabeça energicamente tentando afastar a covardia e voltou o olhar para a janela. Lá fora com seus olhos invisíveis de fogo a mula sem cabeça o encarava perversa. Desmaiou com um baque surdo no chão do quarto avermelhado pelo brilho que saia daquele pescoço esverdeado e fibroso visto de relance no maior susto de sua vida.

Milton "

História de Renato Benvindo Frata



Começamos a postar os textos enviados. E começamos muito bem. Obrigada, Renato! No dia 28 de agosto, conte uma história para alguém e para nós também... 


"Sônia, boa tarde, segue texto para ser lido (e interpretado), no dia da contação de História. Espero que agrade. Beijos e obrigado pela oportunidade.
Renato Benvindo Frata, Academia de Letras e Artes de Paranavaí."

"As Mãos de Jacinto


Cidade onde todos quase se conheciam, Jacinto era alegria no seu jeito simples de ser: sapatão encardido, palheiro por detrás da orelha, camisa desbotada, calça de vários dias, chapéu de palha. Mas de uma simpatia de dar inveja.
“-Jacinto é de boas mãos”, falava meu pai quando se referia ao verdureiro e jardineiro que não se furtava em ajudar a todos. “- É só botar as mãos que a semente germina, a planta cresce, floresce e dá frutos, coisa santa as mãos desse homem...  ... não conheço outro nessas minhas andanças.” E complementava: “- Quando morrer Jacinto, ó” – e batia a palma de uma das mãos nas costas da outra, em sinal de que tudo estaria perdido, porque não haveria outro a lhe tomar o lugar.
Se o vivente precisasse espantar cigarrinhas dos pastos, pulgão das couves, cascavel do roçado e formiga cortadeira do arroz, bastava chamar o velho que com suas rezas espantava a praga intrusa.
Era pá e buff! - No dizer daquele povo.
Nas manhã das terças e sextas, ouvia-se a corneta do verdureiro anunciando frutas e verduras frescas, colhidas na horinha.
Fazia ponto bem próximo de nossa casa, onde a molecada se acotovelava para ganhar banana, laranja, mexerica ou fruta-do-conde, dependendo do tempo das frutas. Mas tinha uma condição. As cascas deverim ser colocadas em uma lata que seria levada à lavoura e servir de adubo.
Jacinto não desperdiçava uma só folha, um só talo. Quando ninguém, especialmente os homens do governo pensavam na preservação do ambiente, na conservação nas nascentes, no trato da poluição, o matuto com sua sabedoria dava lições que não foram aprendidas.
O interessante é que os maços de verduras que vendia vinham enfeixados com fita de folhas de bananeira e sempre acompanhados de uma flor: ou era uma rosa, ou um cravo, ou uma margarida e até flor do campo que ele pacientemente colhia para suas freguesas.
E as presenteva na sua simplicidade.
Às vezes escolhia-se as verduras pela flor que as acompanhava. Mamãe conservava um vaso de louça na mesa da cozinha, sempre pronto para receber as flores de Jacinto.
Acho que as outras mães faziam a mesma coisa, porque era comum ver vasos de flores sobre a mesa da cozinha.
O tempo foi passando, a cidade foi crescendo, nossas vidas se modificando. Os moleques cresceram, aos poucos viraram homens e ganharam o mundo na modernidade que a vida proporcionou.
Outros moleques agora se aboletavam na carroça de Jacinto. E os maços de flores continuaram enfeitados com flores.
A figura de Jacinto, no seu contexto e dentro do seu mundo definhou com o tempo, com suas rezas fortes, hortaliças lindas, frutas açucaradas e flores perfumadas.
Até que numa manhã de inverno a notícia ganhou a cidade: o velho fora encontrado morto no banhado, supõe-se dos males do coração, enquanto colhia agrião.
Tinha ao seu lado uma maço de flores recém cortadas, prontas para serem afixadas à iguaria e entregues às freguezas de sempres.
O vaso de flores, agora vazio da nossa cozinha, foi retirado sem que ninguém dissesse palavra, pois o respeitoso silêncio foi a oração que mamãe dedicou ao verdureiro gentil."



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